terça-feira, 26 de abril de 2011

Patrística e Escolástica (Uma Síntese)



 O mundo é um livro, e aqueles que não viajam lêem somente uma página” - Santo Agostinho

“Dê-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar. Dê-me, Senhor, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir” – Tomas de Aquino


Resumo: Pretendo neste trabalho apresentar as principais tendências teológico-filosoficas de dois momentos de cunho historico-teologico. Forneceremos discussões e temas centrais da patrística em dialogo com a filosofia grega entre o século II ao IV, com ênfase também na exposição do pensamento escolástico entre o século XI ao XIV, sintetizaremos a vida e as obras dos principais pensadores deste período e movimento. È interessante lembrar que trataremos de períodos marcados por profundas transformações políticas, econômicas sociais e religiosas. A compreensão desses períodos da historia européia central e ocidental requer, portanto, o dialogo com este contexto marcado por rupturas, adaptações e continuidades, até mesmo por que, a teologia nasce das necessidades da situação histórica       
Palavras-chave: Cristianismo, Teologia, Filosofia, Patrística e Escolástica

Introdução ao tema

Podemos considerar que o Cristianismo teve inicio na Palestina, mais em particular na cidade de Jerusalém. O movimento de Jesus contribui diligentemente para o inicio da seguinte religião. Esse movimento era na verdade uma reforma do judaísmo pela via messiânica de um Judeu pobre da aldeia de Nazaré chamado Jesus. Entretanto, seus discípulos entenderam esse movimento como um rompimento com a religião judaica expressada na leitura e na pratica assídua da lei. A comunidade apostólica a partir da fé propaga Jesus o Cristo, o Messias, Ungido, não somente para os judeus, mas agora para todos e todas que pretendem inaugurar um estilo de vida na práxis do Reino de Deus.
Rapidamente a mensagem do “Cristo Salvador” maior que a Lei (torá dos judeus) e acolhedor dos gentios espalharam-se pelas regiões vizinhas, em parte, pelos esforços do Apostolo Paulo de Tarso. Essa mensagem, parece haver se estabelecido por toda a região banhada pelo Mediterrâneo Oriental e, até mesmo, adquirido uma presença significativa na cidade de Roma, a capital do Império Romano.
Mas nem tudo se afigura em flores, às vezes o sentido e significa de um grupo religioso aparece nos momentos de grandes tribulações e perseguições, a postura desse grupo frente a realidade de confrontos ideológicos e práticos expressam seu significado para os seus seguidores. O cristianismo cresce a tal ponto de confrontar as estruturas políticas, econômicas, sociais e religiosos de sua época, “os três primeiros séculos do cristianismo recebem expressões como Igreja das perseguições, Igreja das catacumbas ou Era dos Mártires”[1], diz Carlos Jeremias Klein. Os mais espertos escreviam memorizando a fé da comunidade cristã, contrapondo, através da escrita a lógica da época que não os favoreciam, navegavão na literatura apocalíptica, rica de símbolos e metáforas denunciava nas entrelinhas os horrores da época.  Um exemplo é o livro de Apocalipses que vislumbra bem o protesto do autor frente a uma sociedade de ídolos e injustiças, por isso é preciso como reforma da terra a “realidade” do céu.
O cristianismo de religião camponesa clandestina torna-se predominantemente um movimento urbano. A perseguição dos imperadores romanos possibilitou a urbanização do cristianismo e, uma conscientização deste grupo frente à insistência brutal dos perseguidores, por exemplo; problemas internos que necessitavam de soluções surgiram na comunidade cristã, à perseguição movida pelos imperadores provocou o problema de autenticidade dos escritos chamados “Novo Testamento”, os cristãos precisavam estar seguros de que os livros que circulavam nas comunidades tinham fidedignidade, se eles poderiam padecer a morte por aqueles livros. Depois de algum tempo a organização destes volumes de livros receberam maior atenção, organizaram o Canon[2] que pendurou até o século IV. 
Nesse processo de organização do cânon surgiu uma pluralidade de pensamentos teológicos que norteariam o futuro intelectual do cristianismo nos próximos séculos. Desde o século II a igreja resolveu teorizar a sua crença em forma literária, os chamados “Apologistas e Polemistas” enfrentavam o desafio dos movimentos “heréticos”. Podemos observar que neste mesmo período havia uma diferença fundamental entre “Apologistas” e “Polemistas”. È interessante destacar que antes do século III os apologistas ocupavam em justificar racionalmente o cristianismo frente às pressões da autoridade romana, eles não discutiam com grupos chamados “heréticos”. O desafio de responder aos ensinos dos “heréticos” era trabalho dos polemistas, que condenava com veemência uma pluralidade de heresias exposta na comunidade cristã.         

Os imperadores queriam preservar as tradições, a cultura greco-romana e a religião oficial, em 303 e 305, Diocleciano fez uma fracassada tentativa de destruir o cristianismo, mas foi seu sucessor Constantino (274 – 337) que compreendeu que se o Estado não podia destruir essa religião pela força, o melhor seria usar a Igreja como aliada para salvar a cultura clássica. Entretanto, temos que olhar atentamente para a história sem tendencionismos religiosos, ela mesma nos apresenta que a ordem da cessação da perseguição oficial aos cristãos foi dada pelo imperador romano Galerius em 311. Em 313 dois imperadores; Constantino juntamente com Licinio decidem somente a restituição dos bens confiscados, pelo chamado Protocolo de Milão.  O seguinte protocolo não declarava o cristianismo como religião oficial do império romano, mas colocava em igualdade com as outras religiões. Constantino regeu o império derrotando Licinio em 324 no Oriente e construiu logo após a cidade de Constantinopla, para onde foi transferida a sede do governo. Em 361 Juliano[3] foi proclamado como imperador, aboliu os privilégios dados aos cristãos, contribuiu favorecendo o cisma donatista e o arianismo. Em 363 foi derrotado na guerra contra os partos. Sucedendo Juliano, Graciano em 378 suspendeu ajuda financeira do império ao culto pagão, e ainda em 378, nomeou Teodósio como Augusto no Oriente. “O imperador Teodósio promulgou, em 27 de fevereiro de 380, o edito de Tessanôlica (Código Teodosiano XVI, 1,2) oficializando o cristianismo como religião de Estado” [4], destaca Jeremias Klein.
Com a oficialização do cristianismo e a garantia de favores para igreja, o Estado alinhou-se com a seguinte religião que, de perseguida passam a perseguir aqueles que prestam cultos pagãos. 
Na medida em que a igreja em Roma se torna cada vez mais poderosa, começam surgir tensões entre a liderança cristã em Roma e em Constantinopla, pressagiando o cisma posterior entre as Igrejas ocidental e oriental. 
O debate reapareceu, diversas regiões tornar-se-ão centros de discussão teológica. Desde o século I algumas cidades tiveram atenção especial por serem conhecidas na antiguidade como centro do saber teológico. O professor de teologia histórica na Universidade de Oxford, Alister E. McGrath sintetiza no seu livro Teologia: sistemática, histórica e filosófica, apontando três cidades que estavam na vanguarda da discussão teológica, das quais duas falavam em grego e uma em latim:

“A cidade de Alexandria, no Egito atual, se destacou como um centro de educação teológica cristã. Um estilo teológico característico veio a ser associado a essa cidade, o qual retrata sua antiga associação com a tradição platônica.

A cidade de Antioquia e a região vizinha da Capadócia, na atual Turquia. Em uma primeira fase, uma forte presença cristã veio a consolidar-se nessa região norte do Mediterrâneo Oriental. Algumas viagens missionárias de Paulo o levaram até essa região. A Antioquia se destaca de maneira significativa em vários pontos da igreja primitiva , conforme registrado em Atos dos Apóstolos. A própria cidade de Antioquia logo se tornou um importante centro de pensamento cristão. Como Alexandria, foi associada a abordagem especificas com respeito a cristologia e a interpretação bíblica (...) Os pais capadocios também tiveram uma importante presença nessa região, em termos de teologia, no século IV, especialmente notável por sua contribuição a doutrina da Trindade.

O norte da África Ocidental, especialmente a área da atual Argélia. Nesse local, ao final do período clássico, ficava Cartago, importante cidade mediterrânea e, em um certo momento, adversária política de Roma, pois ambas disputavam o domínio da religião. No período que o cristianismo se espalhou por essa área, essa cidade era uma colônia romana. Entre os importantes escritores da região estão Tertuliano, Cipriano de Cartago e Agostinho de Hipona”[5].

O lócus[6] do pensamento teológico nos primeiros quatro séculos eram essas regiões mencionadas, mas isso não quer dizer que outros lugares não foram importantes para o pensar teológico, como Roma, Constantinopla, Milão e Jerusalém, porém a concorrência teologal era visível nas regiões apresentadas. Os grandes problemas teológicos como divindade de Jesus, Deus e o logos, trindade e cristologia, método alegórico na leitura bíblica, o desenvolvimento teórico dos sacramentos e a discussões escatológicas, foram discutidos com entusiasmo nestas três regiões, teólogos que ofereciam suas vidas para defender suas idéias inauguravam suas escolas teológicas.   

Período Patristico (uma síntese)

O período denominado “Patristico” representa um momento significativo para o desenvolvimento do pensamento cristão. A patrística foi sem duvida, um marco decisivo na evolução da doutrina cristã.
O termo “Patrística”, vem da palavra latina pater, “pai”, referente ao pensamento dos pais da igreja. Os ramos teológicos dos pais da igreja de 100 a 310 formam o primeiro período patristico. De 310 a 451 temos o segundo período, finalizando com a terceira fase que se inicia no Concilio de Calcedônia em 451 até o segundo Concilio de Nicéia em 787.
Esse fenômeno ganhou força na historia da teologia cristã após o ano 310 devido à cessação da perseguição ao cristianismo logo em 311. Finalizada a perseguição, as discussões teológicas poderiam ser feitas em publico, com o apoio do Estado. Isso possibilitava um avanço nas teologias cristãs, os teólogos após 311 poderiam se dedicar sem se preocupar com a perseguição, não havia mais acossamento do Estado e sim o apoio. Ademais, o universo plural da teologia cristã ganharia mais consistência no mundo intelectual da igreja, com essa junção entre Igreja e Estado a oportunidade do fazer teológico para, até mesmo, justificar as atrocidades do império frontispício aos pagãos ganharia auxilio religioso, mesmo por que, “tudo era em nome de Deus”.
È imprescindível a apresentação dos nomes dos teólogos da patrística para melhor familiaridade com o próprio assunto. Os Pais Apostólicos (continuadores directos dos Apóstolos,c. 80-150): Clemente Romano (Papa São Clemente I), Papias de Hierápolis, Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, Pastor de Hermas. Segunda metade do século II: Aristides de Atenas, Justino, Atenágoras de Atenas, Ireneu de Lyon (Irineu de Lião), Teófilo de Antioquia. Século III: Orígenes de Alexandria, Tertuliano de Cartago, Clemente de, Alexandria, Cipriano de Cartago (São Cipriano), Hipólito de Roma, Minúcio Félix. Pais Nicenos:  Eusébio de Cesareia Atanásio de Alexandria, Cirilo de Jerusalém, Efraím da Síria. Pais Pós Nicenos: João Crisóstomo, Hilário de Poitiers, Ambrósio de Milão, Jerónimo de Strídon, Agostinho de Hipona, Nemésio de Emesa, Evágrio do Ponto, Arnóbio, Lactâncio, Calcídio, Mário Victorino, Macróbio. Os Pais Capadócios: Basílio de Cesareia (Basílio Magno), Gregório de Nazianzo, Gregório de Nissa. Século V: Marciano Capela, Cirilo de Alexandria, Teodoro de Mopsuestia, Papa Leão I, (o Grande). Século VI: Papa Gregório I (o Grande), Boécio. Século VII: Máximo o Confessor, Isidoro de Sevilha. Século VIII: João Damasceno (João de Damasco). Depois do século VIII (só no Oriente) Fócio Simeão, Gregório Palamás e Marco de Efeso. Estes são os nomes que praticamente foram responsáveis em grande parte pela definição das doutrinas cristãs como os conhecemos hoje.
Pedindo licença para os teólogos, sejam de qualquer corrente teológica, não tratarei neste tópico sobre as teologias dos chamados pais da igreja, na bibliografia no final do artigo estará algumas referencias de ótimos livros para quem deseja se aprofundar no assunto. Conquanto me limitarei em apresentar os desdobramentos deste movimento (escolástica) na historia do pensamento cristão em dialogo com a filosofia grega. Não temos como fugir desta discussão devido a influencia das escolas filosóficas gregas nos pais da Igreja. Aliás, a Patrística ganha força devido sua confluência filosofica nas questões relacionadas à bíblia e as teologias subjacentes.
O pensamento grego é rico.  Desde o século I a filosofia helênica em que se situava os estóicos, os epicuristas, os neopitagoricos, os céticos e os neoplatonicos, dominavam a visão de mundo antigo, distribuída pela cultura greco-romana. Alguns teólogos usavam a filosofia para melhor expressar suas idéias religiosas face ao mundo “pagão”, é obvio que alguns não aceitavam de maneira alguma esse dialogo, a ponto de dizer como Tertuliano: “Que relação tem entre Jerusalém e Atenas?”. Essa critica severa de Tertuliano no século III, fazia parte de uma pequena camada de teólogos que defendiam que o cristianismo deveria manter sua identidade característica, evitando influencias de filósofos gregos que nada conhecia da Igreja da época. O debate foi tenso, podemos dizer que a argumentação mais espessa em defesa do dialogo entre filosofia e teologia foi dada por Agostinho de Hipona (354 – 430). Como mencionamos no tópico anterior, a oficialização do cristianismo como religião do Estado romano possibilitou uma abertura para uma avaliação positiva da cultura clássica. Roma agora era a serva do evangelho, e a teoria desse evangelho precisaria ser convincente para melhor exposição do próprio evangelho.
Quem primeiro iniciou esse dialogo foi Justino Martir (100 – 165), como aponta Paul Tillich em sua obra; Historia do Pensamento Cristão:

“Ao falar do cristianismo, dizia: Esta é a única filosofia certa e adequada que encontrei (...) quando Justino dizia que o cristianismo era uma filosofia, precisamos entender o que entendia por filosofia. Nessa época o termo filosofia se referia ao movimento de caráter espiritual oposto a magia e a superstição. Era, pois, natural que Justino se referisse ao cristianismo como a única filosofia certa e adequada, por que não era mágico nem supersticioso” [7].

Na concepção de Justino essa filosofia, que ele chama cristã, era universal, e continha a verdade sobre o significado da existência. Essa verdade foi manifestada no “Logos” que era o fundamento do cristianismo. Sendo assim, Justino expunha sua Téo-cristologia a partir do “Logos”, não representando Cristo como um completo forasteiro, mas como o cumprimento do melhor do pensamento grego.
No século III surge o desafio do neoplatonismo que serviu como influencia para o primeiro sistema teológico elaborado por Orígenes de Alexandria (185-254). O que seria neoplatonismo? Em síntese, foi uma corrente filosófica que visava uma revisão do platonismo, foi apresentada por Amonio Saccas e Plotino.
Podemos dizer que foi basicamente Platão o grande formador das bases da teologia cristã. Mesmo que o neoplatonismo repense algumas questões filosóficas de Platão, ainda sim toda sua epistemologia é platônica. Por exemplo, Tillich examina cinco elementos fundamentais nessa linha: o primeiro é o conceito de transcendência. As idéias eram para Platão as essências das coisas. Salta-se daí para o mundo idealizado tão apreciado pela religião protestante, por exemplo. Se as idéias e, com elas, a abstração, representam o real, as coisas terrenas perdem seu valor. O segundo elemento destacado por Tillich é, pois, “a desvalorização da existência”. Até hoje a igreja cristã enfrenta problemas relacionados com a compreensão do corpo humano e de seus desejos. O terceiro elemento é a doutrina da “queda da alma da eterna participação no mundo essencial ou espiritual, sua degradação terrena num corpo físico, que procura se livrar da escravidão desse corpo, para finalmente se elevar acima do mundo material”. O quarto elemento é a idéia da providência divina. Tillich nos alerta de que essa idéia recebida ainda hoje pelos cristãos como se tivesse nascida com sua religião, pertencia, na verdade, ao mundo grego antigo e se expressara com clareza nos últimos escritos de Platão. O quinto elemento presente na teologia cristã vem de Aristóteles: “o divino é forma sem matéria, perfeito em si mesmo”. Segundo Tillich, Aristóteles “entendia que Deus, a forma suprema ou ato puro (actus Purus) , como o chamava, move todas as coisas ao ser amado por todas as coisas” e que “a realidade toda deseja se unir à forma suprema, para se livrar das formas inferiores em que vive, na escravidão da matéria”. Esse Deus aristotélico entrou na igreja cristã e exerceu enorme influência principalmente na formulação da teologia medieval. Este ultimo elemento examinaremos com mais pormenores no próximo tópico, onde estaremos apresentando o pensamento da escolástica.    
A aliança entre teologia e filosofia, como podemos observar, foi feita, porém a filosofia tornou-se religiosa e teológica. O problema que nem Epicuro, Zenão, Platão, Aristóteles e etc, foram cristãos, os teólogos da patrística converteram esses filósofos na evolução da teologia cristã. Submeteram suas filosofias ao julgamento heterônomo das autoridades eclesiásticas e suas reflexões sempre foram policiadas por concílios, sínodos, bispo, autoridades eclesiásticas e pelo Papa. Isso também ira acontecer com os teólogos escolásticos no inicio do século XI.
Com tudo isso a uma positividade nessa aliança, a interação criativa da teologia, liturgia e espiritualidades cristãs com a tradição cultural do mundo antigo, sem divida, como aponta Mcgrath “um dos exemplos mais interessantes e férteis de hibridismo cultual da historia intelectual da humanidade”[8].

Escolástica (uma síntese)

O pensamento denominado de “escolástica” acontece no período medieval. Enquanto que o período Patristico concentrou-se em torno do mundo mediterrâneo tendo como centros de poder Roma e Constantinopla, a escolástica expandiu por “toda” Europa tendo como centros de debates: Inglaterra, Itália, França, Alemanha, Suíça e Espanha.
È preciso ter conhecimento que definir períodos históricos é extremante complexo. Definir datas e marcar períodos definitivos pode ser algo difícil, até por que o movimento denominado de “escolástica” pendura até o século XVII na Europa ocidental, por isso teremos cuidado em definir com exatidão quando inicia e termina tal acontecimento, porém podemos encontrar nos séculos, datas, o auge desse período citando seus principais prenunciadores como Anselmo de Cantuária (1033 – 1109), Tomás de Aquino (1225-74) e Duns Scotus (1265 – 1308).  
Mas o período da escolástica acontece na Idade Medieval que provavelmente se inicia no ano 600 e, para alguns historiados se encerra no século XVI[9], para outros como Jacques Le Goff especialista em Idade Média, declara seu fim no século XVIII. Conquanto podemos considerar que a Idade Media que protagonizou a escolástica tendo na situação do mundo por volta do ano 1000 uma diversidade da Europa. Antes disso, alguns acontecimentos fizeram com que a Europa se pintasse ou repintasse por políticas, economias, e sociabilidades diferentes daqueles que figuravam o século IV.
Com o desmoronamento do Império Romano por volta do século V, grande mudanças ocorreram entre o Oriente Médio e o mundo ocidental europeu. O Império Romano do Oriente transformou-se no Império Bizantino, numa fusão entre as culturas romana, grega e oriental. Os árabes unificaram-se política e religiosamente através do islamismo maometano, e iniciaram sua expansão pelo Oriente Médio a partir do século VII, enquanto os povos germânicos da Europa Ocidental prevaleciam no cristianismo. Nessa derrocada do Império Romano, provocou sem nenhuma duvida, uma enorme desorganização política e econômica no mundo ocidental que possibilitou a ascensão de outras culturas como a Islâmica, quanto o cristianismo ortodoxo dos bizantinos.      
Alguns historiados apontam do século V ao X uma “Alta Idade Media” e do século X ao XIV uma “Baixa Idade Media”, mas isso é somente para melhor compreensão do leitor, as vezes dividir os acontecimentos por períodos torna-se pedagógico. 
O mundo por volta do ano 1000 pode-se ser distinguido por quatro grandes focos de civilização: a Europa ocidental e central, o Império bizantino, o mundo mulçumano, e finalmente, a Índia, a China e o Japão. A Europa Ocidental, principalmente em regiões como França, a Alemanha, os Países Baixos e o norte da Itália tinha um cristianismo centralizado na cidade de Roma e seu bispo conhecido como o “Papa”, motivo também de grande disputa papais a pondo de houver um cisma entre aqueles que baseava o papa de Roma e outro, na cidade de Avignon, e em 1054 o cristianismo do Oriente de separou-se do cristianismo ocidental, Igreja Católica Romana rompe com a Igreja Ortodoxa Grega.  
No período medieval as realidades políticas, econômicas, sociais e religiosas são completamente diferentes do período denominado de Antigo. Houve, na Idade Media uma descentralização política e um enfraquecimento do poder dos reis. O Estado fragmentou-se em uma serie de pequenas soberanias locais. Com a economia feudal os proprietários feudais exerciam em seus domínios todas as funções de governo[10]. Não podemos esquecer que a sociedade medieval foi formada por três classes sociais: os nobres, que combatiam, os sacerdotes (clero) que mandavam e enchiam sua barrigas da melhor comida, e por fim os camponeses (servos) que eram os trabalhadores. A igreja influía poderosamente nessa sociedade, principalmente após a conversão dos povos bárbaros ao cristianismo. Fazendo uma analise econômica da historia ocidental o historiador Leo Hoberman em sua clássica obra “Historia da riqueza do homem” no primeiro capitulo; Sacerdotes, Guerreiros e Trabalhadores nos apresenta uma excelente leitura das influências e posses que a Igreja tinha e ortogava na idade media:

“A Igreja foi a maior proprietária de terras no período feudal (...) A medida que a Igreja crescia enormemente em riqueza, sua economia apresentava tendências a superar sua importância espiritual (...) O clero e a nobreza constituíam as classes governantes. Controlavam a terra e o poder que delas provinha. A igreja prestava ajuda esperitual, enquanto a nobreza, proteção militar. Em troca exigiam pagamento das classes trabalhadoras, sob a forma de cultivo de terras”[11]

Como podemos observar a Igreja foi uma das maiores instituições do feudalismo, com estreitas relações com o poder político do senhor feudal e do Rei. Com sua justificativa e ideologia de construção de um mundo sobre seu poderil, teocentricando Deus a partir dela mesmo (a Igreja) a ordem era posta, sujeitando os trabalhadores em sua função e obediência. Não se espantem a escolástica surge nesse período.
Tratando da educação medieval, o ensino era ministrado nos conventos, mosteiros e catedrais[12], No século XI, surgiram as Universidades, nas quais existiam quatro cursos: Artes, Medicina, Direito e Teologia. Sendo que o idioma predominante na literatura medieval era o latim. Nesse período a teologia concentrou-se na grande catedral e nas universidades de Paris e de outros locais, tendo como base, em grande parte, os escritos em latim de Agostinho de Hipona e Ambrosio. Entretanto com tais mudanças, tanto na economia, política, social, religiosa e cultural os teólogos cristãos ocidentais tem uma nova preocupação; “em estabelecer a teologia cristã sobre um alicerce totalmente confiável sobre o piso da razão”, era necessário nesse novo cenário uma sistematização e expansão da teologia cristã e a demonstração da inerente racionalidade dessa teologia.   Com o a exploração do papel da razão nesse novo fazer teológico surge o que denominamos escolasticismo.

Apesar de ter muitos significados para o termo “Escolástico”, no primeiro momento o termo vem do latim, depois “Schole” que palavra grega, que significa o lugar onde se aprende. Segundo Earle E. Cairns “o termo escolástico foi aplicado aos professores na corte ou na escola palaciana de Carlos Magno e também aos eruditos medievais que se serviram da filosofia no estudo da religião” [13]. Para Tillich o termo vem de “escola” e significa “filosofia da escola”, trata-se da explicação metodológica da doutrina cristã. Em resumo, o escolasticismo pode ser definido como um movimento medieval, surgido provavelmente 1250 a 1500, que enfatizou a sistematização e a justificação da teologia cristã por meio da razão. Por exemplo: os dados da revelação deveriam ser organizados sistematicamente através do uso da lógica dedutiva de Aristóteles e harmonizados com a filosofia de Aristóteles (Tomas de Aquino). È pedagógico a divisão do período Patristico para alguns teólogos e historiadores do cristianismo, apresentá-la por fazes traz melhor compreensibilidade: A primeira fase ira do século IX ao fim do século XII, caracterizada pela confiança na perfeita harmonia entre fé e razão. A segunda fase ira do século XIII ao princípio do século XIV, caracterizada pela elaboração de grandes sistemas filosóficos, merecendo destaques nas obras de Tomás de Aquino. Nesta fase, considera-se que a harmonização entre fé e razão pôde ser parcialmente obtida. E a terceira e ultima fase ira do século XIV até o século XVI, decadência da escolástica, caracterizada pela afirmação das diferenças fundamentais entre fé e razão. 
A descoberta de Aristóteles no século XIII causou admiração para alguns e insatisfação para outros. Os chamados franciscanos de tradição agostiniana, não aceitavam a cosmologia aristotélica preferindo a visão de mundo platonista. Até, por que, as obras de Aristóteles apresentavam um novo olhar sobre a realidade, e por isso, por algum tempo os escritos metafísicos de Aristóteles foram proibidos, mas esta foi apenas uma medida temporária para ganhar uma pausa para tomar fôlego.  A nova perspectiva aristotéliana foi realizada por dominicanos que recusavam a antiga cosmologia platônica adotada nas obras de Agostinho de Hipona. Podemos considerar que; enquanto o pensamento Agostiniano-platonista apresentava ser suficientemente místico, o tomista-aristotelico puxava o sujeito pra baixo (realidade, racionalidade).
È indispensável destacar alguns nomes mais influentes da escolástica, em seguida estaremos apresentado uma síntese das teologias dos que considero as principais mentes do pensamento escolástico. Os nomes de Anselmo de Cantuária (1033 – 1093), Abelardo de Paris (1079 – 1142), Bernardo de Claraval (1090 – 1153), Joaquim de Fiori (1132 – 1202), Boaventura (1221 – 1274), Tomas de Aquino (1225 – 1274), Duns Scotus (1265 – 1308) e Guilherme de Ockham (1280 ou 1288 – 1347) formam os principais pensadores escolásticos, entretanto os nomes de Anselmo de Cantuária, Abelardo de Paris, Tomas de Aquino, Duns Scotus e Guilherme de Ockham se destacam e por isso merecem uma atenção especial.

Anselmo de Cantuária
Como todos os escolásticos, Anselmo afirmava que toda a verdade estava, direta ou indiretamente, presente nas Santas Escrituras e na sua interpretação pelos pais da Igreja. Seu fazer teológico achava-se na harmonia entre fé e razão, na articulação da fé com a filosofia. Anselmo dizia que primeiro vem a crença e depois a integibilidade dessa crença, sua clássica frase “Credo ut intelligam” (creio para entender) passou a ser usada pela maioria dos escolásticos. Contribuiu de maneira significativa no debate sobre a existência de Deus, e a interpretação racional da morte de Cristo na cruz. Suas principais obras foram: Monologion (Solilóquio), Proslogion (Colóquio) De Viritate (A verdade), De libertate arbitrii (O livre-arbitrio) e Cur Deus Homo (Por que Deus se fez homem).
Proslogion e Cur Deus Homo, talvez seja as duas principais obras que melhor apresenta a teologia Anselminiana. A obra Proslogion, escrita por volta de 1079 é de uma beleza literária admirável. Nessa obra Anselmo se propõem a formular um argumento que levaria a crença na existência de Deus como bem supremo (argumento antológico). Em Cur Deus Homo, procura estabelecer uma demonstração racional da necessidade de Deus em se tornar homem, assim como uma analise dos benefícios resultantes a humanidade, em conseqüência da encarnação e da obediência do filho de Deus.

Pedro Abelardo
Goza de grande renome como dialético. Entre os seus princípios básicos conta-se o de que a ciência deve preceder a fé. Na querela dos universais, característica da época medieval, defende o concetualismo. Combate ao mesmo tempo o nominalismo e o realismo: sustenta que existem apenas indivíduos, nenhum dos quais é em si espécie nem gênero, e que os gêneros e as espécies são concepções, de onde provém o nome de concetualismo que foi atribuído ao seu sistema. A sua obra mais famosa, Sic e Non, é uma conjunção de afirmações bíblicas e patrísticas de aparência contraditória, que Abelardo concilia. Segundo o esquema traçado nesta obra, desenvolvem-se sucessivamente as exposições escolásticas: afirmações pró e contra de uma tese. Abelardo é também um precursor do humanismo, pela sua defesa da moral individualista. Entre as suas obras principais, além da citada, figura Introdução à Teologia e Ética ou Conhece-te a Ti Próprio.

Tomas de Aquino
Uma pequena observação sobre a biografia de Aquino, é que, seu apelido era “boi quieto”, ele era bastante corpulento. Aquino fora dos momentos de debates acadêmicos e das conversações atinentes a assuntos sérios, era calado, reservado. Além disto não apreciava perder tempo com conversas inúteis. Por isto um de seus colegas o chamou de “o boi mudo”. Conta-se que um de seus professores disse: “Um dia o mugido desse boi será ouvido em todo mundo”.
Tomas de Aquino é considerado um dos principais teólogos da escolástica, talvez o maior gênio da escolástica. Foi um trabalhador incansável e um espírito metódico, que se empenhou em ordenar o saber teológico e moral acumulado na Idade Média, sobretudo o que recebeu através de seu mestre Alberto Magno. Como resultado, produziu extensa obra, que apresenta mais de sessenta títulos. As mais importantes são os Comentários Sobre as sentenças, provavelmente redigidos entre 1253 e 1256, em Paris; Os Princípios e o Ente e Essência, da mesma época, a Súmula Contra os Gentios e as Questões Sobre a Alma, compostas, ao que tudo indica, entre 1259 e 1264. Questões diversas, começadas em 1263, e finalmente a Suma Teológica, sua obra mais celebre, apesar de não ter sida concluída.
Em todas elas está sempre uma vasta erudição, não haurida diretamente nas fontes, pois Aquino não conhecia nem o hebraico, nem o grego, nem o árabe. Limitado ao latim, conheceu e utilizou, porém inúmeros autores “profanos” ((Eudóxio, Euclides, Hipócrates, Galeno, Ptolomeu), os filósofos gregos, sobretudo Platão e Aristóteles, os árabes e judeus (AlFarabi, Avempace, Al Ghazali, Avicebrom, Avicena, Averrróis, Israeli), e escolásticos, como Anselmo, Bernado de Clairvaux e Pedro Lombardo. Mas foi principalmente influenciado por Alberto Magno, seu mestre em Paris.
Tomás de Aquino, não acreditava em um mundo das idéias e sob influência do naturalismo aristotélico defenderá a existência de um mundo real, material. Esse mundo seria a criação divina – esta é uma das questões que surge ao seu tempo, a criação. Ele aponta a apreensão do divino através da verdade da razão que não pode ser negada pela verdade revelada da fé, ambas precisam ser idênticas, do contrário a fé ou a razão não foram adequadamente empreendidas. A teologia e a filosofia não se opõem. Fé e razão estão unidas em um único sentido: a perfeição, ou seja, o conhecimento de Deus. Para Tomás de Aquino a verdade e o conhecimento também são alcançados através de um mestre interior, porém, não há a intervenção de uma luz divina para que se dê o conhecimento, ele já existe como potencialidade no interior do ser e cabe a este descobri-lo através do aprendizado, do estudo, da educação religiosa, da pedagogia.    

Duns Scotus
Em seus poucos anos em Cambridge, Oxford e Paris, Scotus viveu com brilhantismo e maestria, considerado como o filosofo das sutilezas. Sem duvida, Scotus foi responsável por uma serie de avanços de considerável importância para a teologia cristã.  Em sua genialidade teológica e filosófica escreveu uma pluralidade de obras, porém suas principais são: Opus Oxioniense (Obra de Oxford), Quaestiones de Metaphysica (Questões de Metafísica) e De Primo Princípio (Do Primeiro Princípio).
Scotus é filho do século XIII, no qual como vimos, viveram tomas de Aquino e Boaventura. É atravessado por duas trajetórias filosófico-teológicas bem definidas: agostiniano-boaventuriana e aristotélico-tomista. E uma única matriz polêmica a provocá-las e animá-las: o ingresso das obras de Aristóteles na universidade de Paris.
Nesse contexto, Scotus assume uma postura crítica face aos pressupostos e às principais posições defendidas por ambas as escolas, revelando-se como um pensador original. Destaca-se pelo seu estilo rigoroso em bem discernir, o que lhe possibilitou dissipar inúmeras confusões e esmerar-se na especulação acerca das questões filosóficas e dos mistérios da fé. O Doutor das sutilezas se caracteriza, ainda, por um raciocínio deveras singular capaz de, num cerrado diálogo com seus interlocutores, desconstruir seus argumentos e forjar conceitos e linguagem novos cada vez mais precisos e inclusivos. Com Scotus, talvez o pensamento cristão tenha atingido o mais alto vértice da especulação.
Scotus enfatizou a liberdade de Deus. Dizia que as coisas são de modo que são não por que a razão exige, mas por que Deus livremente escolhe. A ênfase de Scotus na liberdade de Deus significa que o papel da razão e da filosofia é necessariamente limitado.
È interessante destacar que Scotus ficou famoso como o primeiro advogado da doutrina da imaculada concepção de Maria[14]. Diferente de Aquino que sustentava que Maria tinha a condição de pecadora, Scotus alegava que Cristo, em virtude de sua obra perfeita de redenção, fora capaz de manter Maria livre da mancha do pecado original. Tamanha foi a influência dessa idéia da Immacula (Livre de pecado) de Maria que foi definida como dogma em 1854 pelo Papa Pio IX em sua bula “Inefabilis Deus”. 

Guilherme de Ockham
Ockham foi o mais influente teólogo dos séculos XIV e XV. Foi conhecido pela “Navalha de Ockham” ou Lei de Economia. Este é o principio de simplicidade, dizia que a explicação mais simples é a melhor ou é fútil multiplicar hipóteses quando algumas vontades bastam. 
Os assuntos de suas obras rodeavam entre teologia, filosofia e política. Suas principais obras foram: Dialogus, Paris 1478; Quodlibeta septem, Paris 1487; Summa logicae, Paris 1488.
Ockham em seus estudos leva o pensamento de Duns Scotus às últimas conseqüências, acentua a separação entre a filosofia e a teologia, entre a razão e a fé, no momento em que se anunciam as primeiras descobertas da ciência moderna.
Pra Ockham, demonstrar uma proposição é mostrar sua evidência ou deduzi-la rigorosamente de outra evidente. A essa exigente concepção de prova, acrescenta-se o senso muito vivo do concreto, que faz do ockhamismo um empirismo radical.
Na opinião de Ockham, o conhecimento abstrato refere-se às relações entre as idéias, sem nada garantir sobre sua conformidade com o real. Quanto ao conhecimento intuitivo, este dá a evidência imediata, assegurando a verdade e a realidade das proposições. Só a intuição prova a existência das coisas, ponto de partida do conhecimento experimental, que, generalizando o particular, chega ao universal, à lei. É a experiência que permite conhecer as causas das coisas.
Não se trata, portanto, de conhecer o universal, mas a evidência do particular. O universal não tem realidade e a inteligência deve ser capaz de apreender o particular. Para Ockham não existem conceitos abstratos ou universais, mas apenas os termos ou nomes cujo sentido seria o de designar indivíduos revelados exclusivamente pela experiência.
Provada a impossibilidade de racionalizar a fé, a teologia passa a proceder exclusivamente da crença, e a filosofia, da razão.
Assim Ockham abre a modernidade, com a teologia de um lado e a filosofia do outro, ambas separadas, fé e razão não podem andar mais juntas. 

Considerações finais
Este trabalho nos possibilitou uma leitura resumida dos movimentos; Patristico e escolástico, ambos como observamos importantes para o desenvolvimento da teologia cristã. Ademais, ampliou nossa visão sobre a Idade Média que é freqüentemente negligenciada especialmente pelos protestantes. Sintetizando a vida e obras dos principais teólogos da patrística como Agostinho de Hipona, compreendemos a influencias de seus pensamentos na organização de nossas teologias. A relação entre fé e razão propagada pelos escolásticos influenciou a posteridade teológica a estar sempre em dialogo com o pensamento secular, e integrar tal pensamento em nossos programas teológicos.
A patrística e a escolástica foi sem duvida um marco no desenvolvimento do pensamento cristão. Arias fundamentais da teologia como; teologia sistemática, filosofia da religião e historia do dogma. Temos uma literatura patrística e escolástica extremamente rica que você poderá ler com tempo e atenção.       


[1] JEREMIAS, KLEIN. Jeremias. Curso de Historia da Igreja. São Paulo, Fonte Editorial, 2007, pg. 34
[2] A palavra “cânon” necessita de explicação. Ela deriva da palavra grega Kanon e significa “uma regra” ou “um ponto fixo de referencia”. O termo “canonico” refere-se a um conjunto restrito e definido de determinados livros, os quais foram considerados inspiração divina pela igreja cristã.
[3] Foi filho de Constantino
[4] Ibid., pg. 81
[5] MCGRATH, alister E. Teologia, Sistemática, Histórica e Filosófica: Uma introdução a teologia Cristã. Trad. Marisa K. A. de Siqueira Lopes. São Paulo, Shedd Publicaçoes, 2005, pg. 39,41
[6] Palavra em latim que significa lugar
[7] TILLICH, Paul. Historia do Pensamento Cristão. Trad. Jaci Maraschin – 4º Ed. São Paulo, ASTE, 2007, pg. 47
[8] Ibid., pg. 54
[9] Alguns historiados apontam do século V ao X uma “Alta Idade Media” e do século X ao XIV uma “Baixa Idade Media”, mas isso é somente para melhor compreensão do leitor, as vezes dividir os acontecimentos por períodos torna-se pedagógico
[10] O feudalismo foi uma forma de governo baseado na propriedade da terra. Seu apogeu ocorreu nos séculos XI e XII
[11] HOBERMAN, Leo. Historia da riqueza do homem. Trad. Waltensir Dutra; atualização e revisão técnica Maria Guerra. 22º Ed, ver. E ampl. Rio de Janeiro, LTC, 2010, pg. 12
[12] Essa educação era somente para os clérigos: monges, bispos, frades e alguns padres. A ralé que formavam os camponeses eram excluídos da cultura e da educação.
[13] CAIRNS. Earle E. O Cristianismo Através dos Seculos: Uma historia da Igreja cristã. Trad. Israel Belo de Azevedo. São Paulo, Edições Vida Nova, 1988, pg. 187 
[14] A idéia que Maria foi concebida sem qualquer pecado, que era pura e sem pecado desde o momento de sua concepção.

Um comentário:

  1. gostei muito até me deu vontade de estudar teologia ! Parabens seu texto é bem coompreensivo.

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